quarta-feira, 13 de junho de 2007

INTERNET E MEIOS DIGITAIS COMO NOVAS MÍDIAS INTERATIVAS



Torna-se necessário investigar como e se a internet se encaixa no perfil da mídia que é objeto de estudo daquelas teorias da comunicação. Procuramos mostrar que a internet não se encaixa no paradigma que pressupõe uma passividade e fragilidade dos receptores da comunicação.

A internet é mídia com características de interatividade radicalmente diferentes dos demais meios de comunicação (Castells, 2003a; Nicolaci-da-Costa, 2002c e 2003; Terêncio e Soares, 2003). O paradigma da comunicação de massa pressupõe um comunicador (ou emissor) gerando e transmitindo uma mensagem, através de um código, para um receptor (ou destinatário) com fins de informação, entretenimento, controle, persuasão, etc. (Bosi, 1981; Eco, 1973; Pignatari, 1996). Ainda que o comunicador não pressuponha um receptor passivo, este tem relativamente poucas escolhas no momento da comunicação, pois os conteúdos da mídia são pré-determinados e selecionados (Abramo, 2003; Hohlfeldt et al., 2001; Silverstone, 2002). O modelo de comunicação da internet pressupõe uma interatividade, em que se exige maior atividade do “receptor”, muitas vezes no próprio momento em que a transmissão está acontecendo. Em alguns casos, o “receptor” torna-se, simultaneamente, comunicador ou, pelo menos, tem o poder de influenciar o comunicador no próprio instante da geração e transmissão de sua mensagem. Além disso, o “receptor” pode selecionar a abrangência e a profundidade com que os temas tratados (Castells, 2003a).

A comunicação de massa tradicional pressupõe uma difusão um-para-muitos unidirecional dos órgãos de comunicação para a sociedade, enquanto a convergência dos meios digitais através da internet permite também a comunicação um-para-um, muitos-para-um ou muitos-para-muitos através de email, grupos de discussão em websites e sistemas de chat (Levy, 2003; Castells, 2003a). Para Castells (2003b), um influente sociólogo que estuda o impacto da internet na sociedade e economia mundiais, o aspecto inédito é que, pela primeira vez na História, existe uma capacidade maciça de comunicação não intermediada pelas empresas e meios de comunicação de massa. Em nossa opinião, isso derruba, em parte, a tese da vitimização do indivíduo frente aos meios de comunicação, colocando ainda mais em evidência um aspecto levantado por Eco (1973) já na década de 70:

“Na realidade, o uso indiscriminado de um conceito-fetiche como esse de ‘indústria cultural’, implica, no fundo, a incapacidade mesma de aceitar esses eventos históricos [novas tecnologias de comunicação], e - com eles - a perspectiva de uma humanidade que saiba operar sobre a história.”

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